Monday, June 05, 2006

Tempo, vida e morte




O Nettinho, este menino lindo de camiseta vermelha foi assassinado ontem por ladrões que tentaram roubar o seu carro no Rocha, Zona Norte do Rio. O que dizer? O que pensar? Na violência do mundo? No govererno que não faz nada pelas pessoas? Fica um grande vazio… A vida dele vai servir para que alguma coisa mude neste cenário de abandono? Não cabem mais mártires no mundo. Me sinto totalmente incapaz de mudar o tempo.

Só consigo pensar no brilho do seu sorriso. Tento me lembrar do brilho do sorriso de todas as pessoas que eu amo. Tento me lembrar melhor do dia desta foto. Já faz quase um ano. E quantas coisas eu ainda pensava em dividir com ele. E quantas coisas eu penso em compartilhar com os meus amigos queridos. Mas quando? No futuro? Que futuro? Quem garante? A única garantia é que vamos partir também, um dia.

A vida acontece agora. Neste instante, amanhã quem sabe? Por isso, respire, olhe, veja. Sinta o ar entrando dentro de você. Sinta o ar sair. Sinta a luz entrar no seu olho e formar imagens. Sinta o gosto da sua saliva, saboreie. Estamos vivos. Até quando, não se sabe. A hora do Nettinho partir chegou muito cedo. Muito estranha a ordem das coisas.

Quero aproveitar bem todos os sorrisos que eu puder receber. Quero sentir amor, amor dentro de mim e que este amor seja tão grande que transborde. Transborde para lugares onde não posso chegar. Num campo extra-humano. Que alcance todos os seres amados de uma vez só. Que encontre todas as almas. Na dimensão que a distancia não existe, não existe vida ou morte. Só há energia que transcende o tempo, o espaço.

Sinto muita saudade dos meus amigos!

5 comments:

Carla said...

Por Yomar Augusto

ao amigo.

o cara é um grande amigo...
tinha tudo pela frente
e nem ficou a metade pelo asfalto
quase como flexa ele já foi andando
irmão querido que se vai, filhos imundos que ficam
a troca não é justa ou injusta é apenas a que temos...
para barganhar perante a falta de escolhas.
somos feitos de carne e osso, e também somos cobaias do
nosso sistema não seletivo, somos irmãos sem vinculo,
somos aquilo que comemos...
andando como flexa jogo fora as penas que dão a direção,
jogo fora meu orgulho de autor e co-autor... sou um teatro vazio.
é irmão..., seu caminho até a minha casa
foi interrompido por luzes na contra mão.
cavalos de pau inexistentes, talvez uma solução
radical para tempos sombrios.
na contra mão do muro aqui escrevo.
não vá longe que um dia eu te encontro.

ao amigo Netinho

Tathiana Treuffar said...

Eu sinto muito
perder alguém querido é sempre tão difícil... Li uma vez em Ushuaia algo que me conforta um pouco, é mais ou menos assim: "Viver no amor de quem nos ama não é morrer".
Um grande beijo pra você.

Tathi
(amiga da Paola)

Paqui said...

Triste, muito triste.

Anonymous said...

Oi, Gabi. Linda foto. Saudades instantâneas. Vamos em frente, tocaremos no final de semana. Não será em vão...

Beijos,
Renato Rocha.

Anonymous said...

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